Seleção Brasileira
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  Em 32 partidas, quase 729 mil torcedores freqüentaram os estádios das cinco cidades sul-coreanas que sediaram o torneio olímpico de futebol de 1988. Se a marca corresponde à metade do recorde de 1.421.627 pagantes, nas Olimpíadas de Los Angeles, quatro anos antes, pelo menos na qualidade do futebol, Seul foi imbatível. A média de 2,96 gols por jogo foi a melhor das três últimas Olimpíadas disputadas, até então. A seleção brasileira, comandada pelo técnico Carlos Alberto Silva, foi uma das que mais contribuiu para isso, marcando 12 gols e sofrendo apenas quatro, em seis jogos. Embora tenha perdido a decisão da medalha de ouro para a seleção da antiga União Soviética (1 a 0, na prorrogação, depois do empate por 1 a 1 no tempo normal), o Brasil de Seul apresentou o futebol mais empolgante da competição. O astro foi Romário. O atacante do Vasco marcou sete gols e entrou para a história como o primeiro brasileiro a terminar artilheiro das Olimpíadas. Seus desempenhos foram tão marcantes que, dez dias depois de desembarcar no Rio de Janeiro, acabou negociado por US$ 6 milhões para o holandês PSV Eindhoven, o campeão europeu daquele ano. O Brasil de Seul também apresentou uma seleção que soube superar os problemas de última hora. Depois de encerrado o prazo de inscrição dos 20 jogadores, o Benfica, de Portugal, negou-se a liberar o quarto-zagueiro Ricardo Gomes e o apoiador Valdo, titulares da equipe. E a seleção se viu reduzida a 18 atletas. Romário não foi o único a brilhar. No meio-campo, o futebol de Geovani, também do Vasco, encheu os olhos pelos lançamentos milimétricos, a habilidade e a precisão no passe. Por uma infelicidade do próprio Geovani, o apoiador levou o segundo cartão amarelo na semifinal contra a Alemanha Ocidental e ficou fora da decisão do ouro. O mesmo aconteceu com o cabeça-de-área Ademir, o capitão do time. Na final, a seleção sentiu muito a ausência de duas figuras fundamentais no meio-campo. Se o ouro não veio, pelo menos, Ademir se tornou o único brasileiro a ganhar medalhas em duas Olimpíadas consecutivas. O apoiador fizera parte da equipe que ganhara prata em Los Angeles-1984. No gol, Taffarel começou a construir em Seul sua fama de herói nas decisões por pênaltis ao pegar as cobranças dos alemães ocidentais Janssen e Wuttke nas semifinais. O Brasil ganhou por 3 a 2 nos pênaltis, garantindo a vaga na briga pelo ouro. A final contra a antiga União Soviética, sem dúvida, reuniu as duas melhores equipes do evento. Os soviéticos chegaram até ali com uma seleção que brilhou pelo sentido coletivo e pela unidade. A criatividade dos meias Dobrovolski e Mikhailitchenko alimentou um time em que a velocidade e o sentido tático predominaram. O Brasil - que ganhara prata em Los Angeles-1984 - apresentou uma equipe mais técnica e inventiva do que a de quatro anos antes. Os brasileiros começaram melhores e pressionaram até o primeiro gol. Neto cobrou um escanteio para Romário completar, livre de marcação, aos 29 minutos do primeiro tempo. Os soviéticos equilibraram o jogo. No meio-campo, o Brasil sentia a falta dos lançamentos de Geovani e da liderança de Ademir. No intervalo, o técnico Anatoly Bishovets fez uma alteração decisiva ao substituir a lentidão de Narbekovas pela velocidade de Savitchev. Aos 15 minutos do segundo tempo, o atacante foi derrubado na área por Andrade: pênalti, que Dobrovolski não desperdiçou, empatando o jogo (1 a 1). Carlos Alberto Silva apostou tudo, trocando Bebeto e Neto por Edmar e João Paulo. Este último criou situações de perigo, com jogadas pelas pontas, sempre buscando a conclusão de algum dos atacantes. Mas o árbitro francês Gérard Biguet preferiu não apitar pênaltis em Romário em dois lances muito contestados pelos brasileiros. O jogo foi para a prorrogação e o Brasil falhou na marcação por zona. Depois de uma trama entre Yarovenko e Liouty, a dois minutos do fim do primeiro tempo da prorrogação, Savitchev apareceu desmarcado para chutar sem defesa para Taffarel: 2 a 1. O Brasil ainda pressionou, mas o goleiro soviético Kharine salvou a pátria, com duas defesas espetaculares, em cobranças de falta de André Cruz, sendo a última no minuto final. Trinta e dois anos depois de conquistar sua primeira medalha de ouro no futebol olímpico, nos Jogos de Melbourne-1956, a União Soviética ganhou seu segundo e último título, antes de se desintegrar completamente. Para o Brasil, a medalha de prata e os aplausos de 74 mil torcedores no fim do jogo, agradecidos pelo espetáculo dado pela equipe durante toda a competição.